Poesia(?)

Cavalos Brancos

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Nos dias que me entristeço

Por minha condição

Sempre penso que não mereço.

A razão esvai e me afogo em emoção.

 

Não só me tirou a motricidade,

Levou embora minha capacidade.

Meu corpo suplica um movimento.

Qualquer um seria um alento.

 

Mal sabem que em mim há liberdade:

Os cavalos brancos me levam ao relento.

Onde existe a minha verdade

Que estou livre em pensamento.

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Zum-zum em Mi maior

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Juntos eles passeiam seguindo o calmo luar.

Indo e vindo,  tilintando suas canções

No quente verão à luz das estações

Por entre os que não os querem naquele lugar.

 

Do sol e do dia escondem-se em porões

À noite retornam contentes a orquestrar

Músicas torpes e dissonantes a infernizar

Sua plateia incidental de todas direções

 

Tais músicos nos deixam aflitos

Sua ópera torpe atormenta até bichos

Que se debatem diante de melodiosos cochichos

Da orquestra incessante dos mosquitos.

Rivais

Apressado, desce a sua rua a passos largos.
Suor cai em seu rosto, no ombros pesam-lhe os músculos dos braços.
Do outro lado da rua, um rapaz mais velho vindo em direção
Oposta,
Os olhos desconfiados dos dois se cruzam,
Em uma expressão de conflito e ódio.
Nunca haviam visto,
Mas um deles sabia que o outro iria machucá-lo.
O motivo: dinheiro.
Agora a adrenalina corre nas veias,
Músculos se tensionam, preparados para o impacto
E andam um contra o outro, somente interligados
Pelo feroz olhar de ambos,
E ficam lado a lado, sem desviar o olhar,
Afastados somente por 3 metros de asfalto
Quente do sol das quinze horas.

Param.

Um pega um pedaço de madeira com um prego,
Que jazia no chão
O outro, um tijolo na calçada.
Cacos, batidas, estilhaços.
Suor antes do trabalho, agora provém do instinto,
Da sobrevivência.
Rolam no chão tentando atingir um ao outro
Com o que tem em volta.
Um deles consegue ficar por cima,
Pega o outro pela testa e bate a cabgeça na calçada.
Uma,
Duas vezes.
Na quinta batida ouve-se o estalo, e as flores da calçada
Banham-se de vermelho-escarlate.

Corpo abandonado,
Um cambaleante corre com medo do que fez.
Esconde-se numa viela escura.
É pego por oficiais,
E levado ao inferno.

E lá, vive aquilo muitas vezes,
E o sangue lhe escorre o rosto diariamente.
Até que o ódio domina seu coração.
Foi solto porque tinha dinheiro pra pagar um bom advogado…
Mas o ódio não foi dissipado…
Fora preso por matar o homem que iria matá-lo por seus tênis.