Estrelo

s-l1600[1]

Nascido na década de trinta,

Um nome forte para um homem forte:

Napoleão não era imperador nem general,

Perdeu a mãe jovem, e cedo foi ao fronte.

Tentava governar sua vida em um tempo de miséria.

 

 

Já eu, nasci em tempos de abundância,

Na cidade já moderna e cosmopolita,

Travando lutas menos onerosas.

Como neto, sua trajetória me era distante;

Mas seu legado, muito próximo.

 

Quando vieram seus quatro filhos,

Abriu um armazém no bairro.

Para o traslado dos produtos, precisou de ajuda.

Um pequeno cavalo ele comprou.

De Estrelo, batizou.

 

Ao lado da nova e amada esposa,

Me acompanhou pela infância e juventude, até a vida adulta.

Sorria, brincava e me contava repetidas vezes

As histórias de uma vida difícil, mas bem vivida.

 

Um dia, sua saúde o atrelou à cama.

Sem conseguir distinguir lembrança de realidade,

Entre suas últimas palavras, uma última história.

A memória quebradiça lhe trouxera um nome:

Estrelo.

E então virou, no céu,

Estrela.

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