Ele mora na noite

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Nunca mais abri as cortinas após o pôr-do-sol. A lembrança daquele dia e daquela visão me assombra de tamanha forma que a simples olhadela para a rua já me faz agachar buscando proteção atrás do móvel mais perto de mim, enquanto os braços tremem e os dentes batem. Um calafrio em pleno verão, eriça os pelos com uma sensação gelada vinda de dentro. Minha psiquiatra chama de medo – e, no meu caso, ela ressaltou que se trata de pânico.

Sempre fui uma garota comum, nem tão bonita nem feia; não era a mais inteligente, tampouco a burra da classe. Em minha mediocridade o medo me torna diferente, e talvez por isso eu odeie e o ame indivisivelmente. Quase não saio de casa durante o dia, então ele me impede de qualquer interação social do tipo balada, happy hour ou uma sessão de cinema com filme legendado – sim, durante o dia só existem dublados. Trabalhar em casa me ajuda demais a manter a sanidade mas, igualmente, ligações no Skype somente até as 18h. Não me arrisco mais: Se eu ver mais uma aquela coisa, disforme e fazendo seus estalidos perturbadores, acho que não sobrevivo até o final da noite.

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