Corte

Blackrain

A luz forte parecia cortar as frases ditas entre os amantes sob chuva. Ele se lembra daquela fatídica noite: havia bebido demais, brigado com alguém e a levado para sua casa. Acordara com um revólver na mão e a camisa suja de sangue. Ela não se lembra do que aconteceu por seu estado igualmente ébrio mas ouvira um estalo de um tiro que chegou a ensurdecê-la. Fugindo do possível homicídio, pegaram o carro,  trôpegos pelas ruas de Londres. Porque chovia muito, derraparam e capotaram quatro vezes. Pó, tinta, batom e fluídos transformaram o rosto do homem em frangalhos, demonstrando a força do acidente. Sua amante sobrevivera por pouco, e naquela noite acabaram por tomar diferentes rumos, dificultando o trabalho da polícia.

Após essa breve memória – que ambos demonstraram recordar ao mesmo tempo, através da troca de olhares – se beijaram na chuva, felizes pelo reencontro. De súbito, outro estalo: um tiro foi disparado. Quando a expressão de espanto se formou no rosto de ambos, o diretor cortou a cena.

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