O Filho Pródigo

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“Rifle Nova-366HR preparado”, disse minha interface pessoal, alguns segundos após eu conectar um dos cabos que saem do meu pulso à arma de longo alcance. Ela parece uma Barrett – uma arma bastante comum entre os atiradores de elite do século XXI, mas não só é prateada e dotada de diversas luzes: uma indicando o nível de plasma restante, outro para o tipo de descarga a ser feita ( um tiro ou uma rajada de cinco tiros por segundo) e um indicando que a arma estava conectada a mim corretamente. No entanto tudo ficava oculto aos olhos externos, já que a arma tinha uma camuflagem do tipo camaleão, uma tecnologia que assemelhava a aparência da arma tornando-a praticamente invisível. No entanto, minha conexão a ela me possibilitava enxergá-la sem dificuldades.

Agachei-me no terraço do prédio e assentei o rifle no parapeito, observando a jovem e voluptuosa mulher através da mira telescópica, aproximando sua bela imagem como se estivesse em minha frente – por mais que estivesse a alguns quilômetros e obstáculos de distância. Por mais estardalhaço que fizesse um tiro de plasma, ele conseguiria não somente trespassar estes prédios, mas também penetrar qualquer campo de força que a vítima estivesse utilizando.

Aguardei o momento certo e quando fui apertar o gatilho senti o peso da coronhada nas minhas costas, aliviado em sua totalidade pelo campo de força que eu utilizava – agora avariado. Levantei-me desconectando-me da arma, deixando-a na mira e saquei meu bastão retrátil, analisando meu agressor em busca de pontos fracos.

Minha interface pessoal rapidamente indicou-me quais veias estavam mais expostas enquanto o homem tentava me atingir com golpes e balas. Meus reflexos apurados eram suficientes para desviar, enquanto aguardava o momento certo para agir. Esquivando-me de outro pulso de laser emitido da arma do agressor, me aproximei de seu corpo e desferi uma sequência de golpes em pontos vitais tão rapidamente quanto um bocejo. Ao identificar a morte de meu inimigo, realizei a vinda de pelo menos mais seis iguais a ele, armados com pistolas laser e espadas de ‘carbono-vivo’ – um material que nunca precisa ser afiado e de corte excepcional: pode trespassar alvenaria como se fosse papel.

Recebi um alerta de mudança de curso: minha vítima estava se locomovendo para longe do meu raio de ação, e eu acabaria perdendo a oportunidade única. Jamais conseguiria voltar do futuro novamente para esta tarefa. “Alvo em movimento. Provável saída do alcance em 30 segundos”, disse a monotônica voz de minha interface pessoal. Eu tinha meio minuto para livrar-me desses imbecis e matar minha própria mãe.

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