O Bode

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Na sala escura porém belamente ornada, o regente da cidade folheia um livro, provavelmente contendo medidas a serem tomadas, regulamentos da cidadela ou coisa parecida. Passando por dois guardas fortemente armados, o ladrãoconhecido como “Bode” – por conta do cavanhaque peculiar que usava – sentou-se em frente à mesa, esperando o nobre realizar suas tarefas, mesmo que já tenha notado sua presença.

– E então… Ladrão? Pensou sobre o preço daquele artefato que você surrupiou da Torre de Ébano? Observou o lado mais sensato e decidiu por aceitar minha generosa oferta? – perguntou o Regente, sem tirar os olhos do tomo.

–  Eu recebi uma proposta melhor. Justamente por isso vim até aqui pessoalmente lhe dar a notícia. – respondeu o homem, que vestia uma túnica negra que cobria até parte de seu rosto.

– Vamos lá, rapaz. Não é possível que haja algo mais valioso do que sua própria terra e escravos! – indignou-se o nobre, soltando um leve sorriso e finalmente olhando Bode por cima dos delicados óculos. – Eu lhe disse que a lâmpada era importante para mim, e posso subir qualquer tola recompensa. O mercenário permaneceu imparcial, ajeitando-se para levantar enquanto dizia:

– Pois então… Senhor, seu Rei ausente jamais veio sequer me agradecer pelas inúmeras vezes que segurei seu reinado agindo pelas sombras. – Bode falava fria e calmamente – Obviamente não é uma questão de ego. Jamais um ladrão gostaria desse tipo de reconhecimento mas… Eu gostaria de falar com ele sem a sua infame intermediação, senhor.

O nobre recostou-se na cadeira segurando o queixo e com um largo e cínico sorriso.

– Mas era o que os dragões nunca me trouxeram! – indignou-se – Um ladrão asqueroso questionando o meu trabalho. Se o Rei é tão ocupado para recebê-lo, provavelmente deve ser proporcional à consideração que vossa alteza tem a você, seu verme. Se o Rei estivesse vivo, você estaria enforcado amanhã pela manhã.

– C-como é? – o ladrão ficara atônito, sem saber se havia compreendido corretamente. – Sim, exatamente o que ouviu: en-for-ca-do!

– O Rei está morto?!

– Ah isso…Sim, sim, está lá em cima agonizando depois da facada que dei em seu coração. – retirou da gaveta algo embrulhado em um pano. Abriu e jogou na mesa, mostrando ao ladrão uma adaga ensanguentada – Aliás, a facada que você deu no coração dele.

– I-Isso é um absurdo, eu jamais… – fora interrompido pelo grito de ordem do nobre.

– Prendam este assassino! – os guardas que presenciaram tudo, agarraram Bode pelos braços – Levem-no ao calabouço e noticiem a morte do Rei.

E completou:

– Agora você vai ter uma nova perspectiva sobre esse seu apelido, ladrãozinho!

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