Mujahidin

Fomos perseguidos e assassinados, extorquidos e torturados por um deus que não é nosso. Por uma fé que nunca provocamos, por um povo que até conhecíamos. Destruíram nossos lares e nossos corações, quebraram nossos dentes e espíritos. Um homem resistiu. Recebeu as ordens dos céus e uniu nosso povo em um só pela fé. E conquistamos o que uma vez perdemos, e tivemos nossa vingança contra os opressores.

Hoje o dia está bonito. Fazendo aproximadamente 38 graus na sombra, me agacho para alimentar o morteiro, visando ao longe as tropas inimigas que se reúnem em um comboio. Antes eles do que nós, e precisava ser rápido porque não tardaria muito até que avistassem minhas feições árabes e minhas vestimentas, para que começassem uma ofensiva brutal. Logo após barulho ensurdecedor e oco ao meu lado da ogiva sendo lançada ao ar, começou o crepitar das balas atravessando a muralha à nossa frente, fazendo com que todos gritassem e se jogassem ao chão, encontrando alguma brecha para colocar o cano de nossos fuzis.

Ao meu lado, meu amigo de infância não teve tanta sorte e foi atingido no joelho e no ombro, explodindo ambas as juntas em pedaços, criando duas poças de sangue quente e escarlate. Consegui espremer-me por entre alguns pedregulhos e atirar cegamente na direção deles sem saber se acertara alguém, já que somente a poeira desértica subia formando uma neblina aterradora, de onde poderia surgir o inimigo a qualquer momento.

Não podíamos ficar parados e morrer como covardes, então começamos a nos mover taticamente em direção a nossos carros armados com metralhadoras, que estavam a uns duzentos metros de nós. No entanto, uma das explosões que ouvimos enquanto éramos suprimidos por tiros era a de um foguete lançado pelos inimigos, que destruiu nossa última esperança em destroços, junto com alguns irmãos que lá estavam nos aguardando. Pedaços de corpos retorcidos e gemidos entrelaçavam meus sentidos, junto a gritos de socorro e um cheiro de carne e ferro queimados. Indivisíveis. Percebemos que estávamos cercados, e decidimos parar de atirar e gritar por rendição.

Éramos sete dos vinte e três que realizavam a operação e estávamos agora desarmados, prostrados frente aqueles estrangeiros fortemente armados. Mais uma vez quebraram nossos dentes e espíritos, utilizando de métodos cruéis para nos arrancar informações vitais. Mas eu resisti. Não recebi ordens dos céus, mas em nome de meus companheiros e de meu povo. Naquela barraca suja no meio do nada; Em tal calabouço e jazigo, eu era mais do que um judeu lutando pelo exército americano: eu era um guerreiro santo. Um Mujahidin.

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http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wJGvx8bYg2I#t=24

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