Sangue e Trovão

punicwars3

“Galopando em direção às Terras do Norte, percebi o início de chuva. Melhor que fossem gotas d’água caindo do céu do que flechas. Meu braço ainda ardia pelo corte frio da lâmina espessa dos malditos Romanos, e corria para chegar à tempo ao nosso acampamento antes que o ferimento me matasse.

No horizonte, onde esperava avistar tendas, senti primeiro o cheiro de queimado, seguido da visão da flama subindo aos céus, juntando sua cor alaranjado à alvorada. Pensei que tínhamos deixado a retaguarda desguarnecida. Hoje sei que fomos traídos, mas no momento só pensava que o reforço dos Francos não havia chegado à tempo. Precisava pensar rápido no que fazer para chegar vivo a um de nossos acampamentos aliados. Segui a Nordeste, buscando nosso Vater Rhein, por onde poderia chegar até as guarnições aliadas, que aguardavam o chamado às armas.

Parei para tratar de minhas feridas, e para que o cavalo descansasse um pouco. Percebi a chegada de um pequeno grupo vindo do oeste. Por suas vestes, eram Francos, e, pelos deuses, carregavam cabeças de meu povo. Definitivamente fomos traídos, e eu precisava avisar a todos de tal calamidade. Calmamente montei e cavalguei por entre as árvores, para que não fosse avistado com facilidade, afinal, as margens dos fluentes do rio Rhein eram abertas demais.

Mesmo assim, a batalha se sucedeu. Dois a cavalo e três a pé, tentaram cercar-me, mas encontraram somente meu cavalo. Saltei da da copa de uma árvore em cima de um dos cavaleiro, com a minha lâmina menor já cravando em seu pescoço. Ambos caímos, e, no chão, cortei seu pescoço de ponta a ponta, rapidamente rolando para trás de uma árvore maior, para que os outros não me vissem. O outro cavaleiro que passou, rente a onde me escondia, voou para frente, batendo de cabeça em uma árvore, quando quebrei um grosso pedaço de madeira nas patas de seu cavalo.

Nesse momento, os outros três retesaram a investida, pois não conseguiam me enxergar. Somente agiram quando uma lâmina cravou no olho de um deles, lançada por meu braço bom. Apesar da dança ter sido perigosa, consegui subjugá-los, afastando um enquanto cortava o outro. Banhado em sangue, continuei minha viagem, tirando o máximo de Ágora, meu cavalo.

Quando encontrei as guarnições, já viajava há dois dias, e a fome estava me matando. Precisei de mais uns dias para me recuperar totalmente, mas, infelizmente, acordei sob barulho de pedras caindo do céu. Agora, de um lado os Francos nos despejam flechas; de outro, Romanos bombardeiam-nos com suas catapultas. Há quatorze dias lutamos, e cada vez mais, morre meu povo.

Anteontem, entre corpos, sangue e fedor, uma flecha cravou em minha barriga, e acho que está piorando. Minha cabeça queima, e suo cada hora mais. Acho que estou indo embora, com a honra e a glória, de ter lutado por nosso  povo germânico.”

Dizia o pergaminho, queimando junto às pilhas de corpos germânicos e romanos, sob o fogo ateado por soldados ostentando cruzes e machados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s