Nos Pampas

O ano era 1837. Antônio e Constância eram um casal idoso cujos filhos estavam longe há muito tempo. Residiam nos Pampas do Rio Grande do Sul, criando gado e plantação de trigo durante 40 anos. Antônio leva o leite ordenhado pela manhã para o café da tarde, enquanto Constância tomava um chimarrão. Com a guerra, presenciavam inúmeras tropas indo e vindo, ameaçando e pedindo. A todos, o casal cedeu suprimentos, moradia e todo tipo de auxílio, pois acreditavam nesta terra e, principalmente, no ser humano.

Com a seca, vieram os problemas. Além de uma produção escassa, Antônio e Constância sofriam com a fome e os embargos no momento em que vendiam seus bens.

Chegando em casa, ambos ficaram em silêncio, após uma amarga sensação de que não seria possível continuar a guerra da vida. Ficaram sentados, com lágrimas deslizando os olhos, assim como as nuvens que começavam a chegar. E no primeiro trovão, anunciando esperança, Antônio disse:

– Mostremos valor, Constância, nesta ímpia e injusta guerra. Que sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra.

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Uma singela homenagem ao 20 de setembro, data em que não se deve comemorar a guerra, mas a perseverança.

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