Outro planeta

The_Horsehead_Nebula_B33_Orion_Nebula

Chegando àquele planeta, ele pôde observar como era diferente: o céu era azul muito escuro durante o dia, as nuvens eram negras, e a terra avermelhada e arenosa.

– Terra SS1, responda! Câmbio. – disse ao rádio.

– Terra SS1 respondendo! – respondeu o operador, que estava em uma estação espacial estacionada na órbita. – Não tire o respirador. Repito: não retire o respirador. Há muita radiação no ar. Tome cuidado KL-3. Câmbio.

– Ok, vou iniciar a exploração. Câmbio, desligo.

Começou então a observar a paisagem de destruição. Haviam muitos metais retorcidos, em formato padrão, como se fossem enormes caixas, provavelmente onde aprisionavam algum tipo de escravos. Sentiu uma coceira no nariz, e o torceu para que a coceira passasse. Mesmo com o aviso da Base, jamais havia pensado em tirar seu respirador. Apesar de a vida haver triunfado em ambiente tão hostil, não confiava que poderia sobreviver a um ambiente tão pesado.

Continuou a andar alguns quilômetros, observando os resquícios de uma civilização perdida. Que havia exaurido todos os recursos possíveis, e havia sido destruída por si mesmo. Pensou em sua casa, sua esposa e filhos. Percebeu a fragilidade da vida, e da inteligência, pois aquela civilização parecia ter tido uma evolução bastante interessante, diferente do que ele havia visto.

Ao cair da noite, refugiou-se dentro de uma pequena caixa de metal, que não entendera a utilidade, ingeriu as cápsulas de comida e adormeceu.

– KL-3, aqui é Base! Acorde! Fenômeno desconhecido a Leste! Está destruindo tudo a sua volta! Você tem 15 segundos, use seus propulsores!

Levantou-se rapidamente, olhando por um dos cinco buracos que tinha a caixa de metal onde estava, e viu um turbilhão de ventos e raios vindo em sua direção. Descia dos céus até o chão, destruindo tudo por onde passava.

Rapidamente ligou os propulsores, voando em uma altura baixa em alta velocidade. Percebeu que havia vários daqueles fenômenos acontecendo ao mesmo tempo. Prendeu sua atenção em um, que tinha o tamanho de pelo menos três dos outros. Sentiu uma forte batida no ombro direito, que o fez desmaiar em pleno ar. Chegando ao chão em um forte impacto, salvo pelo sistema de emergência de seu traje, que, mesmo sendo completamente destruído, o salvou.

Finalmente coçou seu nariz, ainda deitado. O vento o acordou, levando grãos de areia a suas orelhas. Levantou ainda zonzo, e estava com o traje de emergência, mas isso não o protegia daquele planeta inóspito. No entanto, percebeu que estava em um lugar completamente diferente do que havia visto. Parecia a instalação ao ar livre mais intacta desde a tragédia que dizimou a tudo e a todos. Havia um pórtico, onde estavam grafadas runas que ele jamais havia visto. As anotou e continuou em frente, observando enormes esculturas, provavelmente de antigos Deuses ou animais que lá existiam. Inúmeras reproduções, em um material rígido, de criaturas estranhas, todas unidas por cabos ou encaixes. Provavelmente para facilitar o transporte ou algo assim…se bem que, o local parecia ser um lugar especial, pois estava cercado. Deveriam fazer oferendas ou festas, pois havia tantas figuras pequenas de pano, como bonecas e outras reproduções menos fiéis dos habitantes e suas criaturas.

Percebeu que havia painéis e alavancas em algumas pequenas edificações. Tentou acionar uma delas e ouviu um enorme estrondo, como se um metal há muitos anos finalmente conseguia se movimentar, mesmo que por pouco tempo, pois havia pouca energia para que algo acontecesse.

Percebeu que um imenso círculo, preso ao chão pelo centro havia girado. Deveria ser o rotor principal de todo aquele aparato. E era maravilhosamente grande. Desenhou então para que pudesse mostrar a seus companheiros, na Base. Fora interrompido na hora em que imaginava que seria, ao chegar o módulo que o levaria à Base novamente, acima da órbita. Entrou na cápsula e sentiu-se triste. Sem saber porque, sentiu-se triste por todo aquele povo, que parecia estar em seu auge quando fora destruído. Novamente pensou em sua mulher e filhos, seu planeta natal, tão verde, tão azul; com milhões de lindos animais. Será que seu planeta irá perecer como este? Sucumbir à inveja, à ganância e à inconseqüência? Isso o deixava triste.

Chegou à Terra SS1, recebeu sua medicação e disse aos companheiros que iria dormir um pouco. Só isso. E não conseguia dormir.

Depois de algumas horas de sono, mais uma vez fora interpelado por seus curiosos companheiros de tripulação, querendo saber o que havia naquele planeta. Ele, sem dizer nada, estendeu o papel com o desenho do que havia visto, e um papel com aquelas runas impronunciáveis: “Parque de Diversões”.

Conto original, escrito em 05/11/2009

Inspirado pelo conto “Eye of the Beholder”

Chegando àquele planeta, ele pôde observar como era diferente: o céu era azul muito escuro durante o dia, as nuvens eram negras, e a terra avermelhada e arenosa.

– Terra SS1, responda! Câmbio. – disse ao rádio.

– Terra SS1 respondendo! – respondeu o operador, que estava em uma estação espacial estacionada na órbita. – Não tire o respirador. Repito: não retire o respirador. Há muita radiação no ar. Tome cuidado KL-3. Câmbio.

– Ok, vou iniciar a exploração. Câmbio, desligo.

Começou então a observar a paisagem de destruição. Haviam muitos metais retorcidos, em formato padrão, como se fossem enormes caixas, provavelmente onde aprisionavam algum tipo de escravos. Sentiu uma coceira no nariz, e o torceu para que a coceira passasse. Mesmo com o aviso da Base, jamais havia pensado em tirar seu respirador. Apesar de a vida haver triunfado em ambiente tão hostil, não confiava que poderia sobreviver a um ambiente tão pesado.

Continuou a andar alguns quilômetros, observando os resquícios de uma civilização perdida. Que havia exaurido todos os recursos possíveis, e havia sido destruída por si mesmo. Pensou em sua casa, sua esposa e filhos. Percebeu a fragilidade da vida, e da inteligência, pois aquela civilização parecia ter tido uma evolução bastante interessante, diferente do que ele havia visto.

Ao cair da noite, refugiou-se dentro de uma pequena caixa de metal, que não entendera a utilidade, ingeriu as cápsulas de comida e adormeceu.

– KL-3, aqui é Base! Acorde! Fenômeno desconhecido a Leste! Está destruindo tudo a sua volta! Você tem 15 segundos, use seus propulsores!

Levantou-se rapidamente, olhando por um dos cinco buracos que tinha a caixa de metal onde estava, e viu um turbilhão de ventos e raios vindo em sua direção. Descia dos céus até o chão, destruindo tudo por onde passava.

Rapidamente ligou os propulsores, voando em uma altura baixa em alta velocidade. Percebeu que havia vários daqueles fenômenos acontecendo ao mesmo tempo. Prendeu sua atenção em um, que tinha o tamanho de pelo menos três dos outros. Sentiu uma forte batida no ombro direito, que o fez desmaiar em pleno ar. Chegando ao chão em um forte impacto, salvo pelo sistema de emergência de seu traje, que, mesmo sendo completamente destruído, o salvou.

Finalmente coçou seu nariz, ainda deitado. O vento o acordou, levando grãos de areia a suas orelhas. Levantou ainda zonzo, e estava com o traje de emergência, mas isso não o protegia daquele planeta inóspito. No entanto, percebeu que estava em um lugar completamente diferente do que havia visto. Parecia a instalação ao ar livre mais intacta desde a tragédia que dizimou a tudo e a todos. Havia um pórtico, onde estavam grafadas runas que ele jamais havia visto. As anotou e continuou em frente, observando enormes esculturas, provavelmente de antigos Deuses ou animais que lá existiam. Inúmeras reproduções, em um material rígido, de criaturas estranhas, todas unidas por cabos ou encaixes. Provavelmente para facilitar o transporte ou algo assim…se bem que, o local parecia ser um lugar especial, pois estava cercado. Deveriam fazer oferendas ou festas, pois havia tantas figuras pequenas de pano, como bonecas e outras reproduções menos fiéis dos habitantes e suas criaturas.

Percebeu que havia painéis e alavancas em algumas pequenas edificações. Tentou acionar uma delas e ouviu um enorme estrondo, como se um metal há muitos anos finalmente conseguia se movimentar, mesmo que por pouco tempo, pois havia pouca energia para que algo acontecesse.

Percebeu que um imenso círculo, preso ao chão pelo centro havia girado. Deveria ser o rotor principal de todo aquele aparato. E era maravilhosamente grande. Desenhou então para que pudesse mostrar a seus companheiros, na Base. Fora interrompido na hora em que imaginava que seria, ao chegar o módulo que o levaria à Base novamente, acima da órbita. Entrou na cápsula e sentiu-se triste. Sem saber porque, sentiu-se triste por todo aquele povo, que parecia estar em seu auge quando fora destruído. Novamente pensou em sua mulher e filhos, seu planeta natal, tão verde, tão azul; com milhões de lindos animais. Será que seu planeta irá perecer como este? Sucumbir à inveja, à ganância e à inconseqüência? Isso o deixava triste.

Chegou a Terra SS1, recebeu sua medicação e disse aos companheiros que iria dormir um pouco. Só isso. E não conseguia dormir.

Depois de algumas horas de sono, mais uma vez fora interpelado por seus curiosos companheiros de tripulação, querendo saber o que havia naquele planeta. Ele, sem dizer nada, estendeu o papel com o desenho do que havia visto, e um papel com aquelas runas impronunciáveis: “Parque de Diversões”.

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2 comentários

  1. Engraçado, Deivid.

    Conhecendo-te, sabia que o conto acabaria dessa forma. Esplêndida, entretanto, a forma como me guiaste até o final.Parabéns.

  2. Eu lí Asimov agora.

    Não estou te acusando de plágio. Pelo contrário. Estou dizendo que escreveu com a maestria, a qualidade, o sentimento, de um mestre.

    Muito, MUITO bom!

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