Oito Segundos

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Um.

J. Alves debruçava-se sobre a mureta de sua casa, esperando que sua mãe o chame para o almoço. Não é em vão sua posição: ele espera alguém que, pontualmente, passa na frente de sua casa.Não sabe pra onde ela vai, mas sabe aonde gostaria de ir com ela.Três. Olha para a esquina com nervosismo, peguntando-se milhares de vezes se estaria apresentável.

Em cinco, foi quando o vulto começou a surgir, virando a esquina. Aqueles cabelos cor-de-cobre encantavam os olhos de J. Alves. De sua sacada, ele via as curvas da moça remexendo no ritmo do seu próprio coração. Olhava para o vento passando por entre cada fio, flutuando com a fluidez de pétalas de rosas soltas ao vento. O brilho molhado de seus lábios exalavam nos olhos do jovem o cheiro da paixão, fazendo com que suas expressões sérias de “quase adulto” se transformassem na mais melosa representação de felicidade.

Seis.

– Bom dia! – ressonava aquela voz nervosa do garoto ao cumprimentar a moça que beijava em seus sonhos.

Em resposta, ela simplesmente sorria, inclidando levemente a cabeça para frente, fechando seus olhos verdes e abrindo-os rapidamente. Tal ação parecia ao vislumbrado rapaz um chamado, como se ela naquele momento mostrasse, com sua beleza e meiguice, o que lhe aguarda no futuro. Dá uma amostra do tesouro a ser conquistado por ele. Isso em sete.

Mas por ela ele esperaria muito. Na frente de sua casa, ficaria sempre criando coragem para iniciar uma conversa. A beijaria quando, mais uma vez, a coragem e a vontade de conquistá-la tomassem conta do seu ser, tornando possível o envolvimento que semprem desejara. Viajariam, e cairiam em risadas, sorrisos e devaneios, passando pelos lugares que sempre sonharam estarem juntos. Brigariam por tudo e por nada, discutiriam o amor e o ciúme, e tudo isso para que a reconciliação fosse mais calorosa por entre os lençóis. E teriam frutos de amor em seu casamento: Gabriel e Letícia, ambos com olhos castanho-esverdeados, timidos como os pais. Os veriam crescer como seu próprio amor não cessava de fazê-lo.

– Alvinho, meu filho, venha almoçar!

E então…Oito.

originalmente publicado em set/2006

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